Se há algo que o homem não pode negar são sem duvida as suas raízes, a sua origem, a sua terra. O ambiente em que cresce marca-o em cada etapa, contribuindo para a formação do seu carácter e personalidade.

Tanto as boas experiências como os maus momentos são motivos de recordação que fazem nascer no Homem toda uma miscelânea de sentimentos que vão da ternura e carinho à mais profunda nostalgia ou cruel tristeza.


 Sobre uma pequena colina está agradavelmente situada a pacata

povoação de Vale do Peso com 67,53 Klm2 de área

Pertencente ao concelho do Crato e ao distrito de Portalegre, Vale do Peso dista 7 km da vila

Cratense e 28 da capital de distrito.

O seu acesso pode ser efectuado quer pela Estrada Nacional 245 que liga Alpalhão

ao Crato, quer pelas estradas camarárias de Gáfete ou Aldeia da Mata.





 


Vale do Peso " Vida e Tradição"

 

"Vale do Peso é terra boa

                                                                               Vale do Peso é terra bela

Muita gente de Lisboa

Morre de amores por ela"

(prof.Manuel Subtil)

 

   


Se há algo que o homem não pode negar são sem duvida as suas raízes, a sua origem, a

sua terra. O ambiente em que cresce marca-o em cada etapa, contribuindo para a formação

do seu carácter e personalidade.

Tanto as boas experiências como os maus momentos são motivos de recordação que fazem

nascer no Homem toda uma miscelânea de sentimentos que vão da ternura e carinho à mais profunda nostalgia ou cruel tristeza.

 


Localização geográfica de Vale do Peso


 

 

Sobre uma pequena colina está agradavelmente situada a pacata povoação de Vale do Peso

com 67,53 Klm2 de área.

Pertencente ao concelho do Crato e ao distrito de Portalegre, Vale do Peso dista  7 km da vila

Cratense e  28 da capital de distrito. 

O seu acesso pode ser efectuado quer pela Estrada Nacional 245 que liga Alpalhão ao Crato,

quer pelas estradas camarárias de Gáfete ou Aldeia da Mata.


 

 

A verdadeira origem de Vale do Peso é desconhecida. Algumas lendas pretendem explicar o

seu nascimento e são até hoje objecto de crença por parte de muita gente.  Uma  dessas tradições

diz que Vale do Peso está assente sobre as ruínas de uma outra povoação muito antiga

chamada "Cidade do Peso".

Tal nome derivaria de uma pedra airosa que pela sua configuração se assemelhava a um peso antigo.

Reza a lenda que quando a cidade foi destruída, os seus habitantes,  antes de a abandonarem, esconderam junto da referida pedra as riquezas que não podiam levar consigo, na esperança

de mais tarde poderem recuperá-las.

Tempos depois, os habitantes de Vale do Peso, convictos que reencontrariam esse tesouro,

procederam a profundas escavações acabando por despedaçar pouco a pouco a pedra.

Uma outra lenda, mas sem fundamento digno de crédito, diz que Vale do Peso teria sido

fundado pelos habitantes de uma pequena povoação - " Pé - do - Rodo " que acossados por

uma invasão de formigas tiveram de abandonar o pequeno povoado e fundar a actual

povoação de Vale do Peso.

O Pé - do - Rodo existiu realmente e ainda hoje são visíveis os alicerces de algumas

habitações. Mas seria efectivamente a invasão de formigas o motivo do despovoamento?

 




Actividades desenvolvidas em Vale do Peso




Vale do Peso não tem brasões de nobreza nem grandes proezas que ilustrem a sua história.

É uma terra constituída por gente simples e hospitaleira que encontra essencialmente na

agricultura e pecuária os seus meios de subsistência.

A par da exploração agrícola e criação de gado desenvolve-se também outra actividade: a

produção de azeite, pela empresa Euroliva.

Como agente de emprego Vale do Peso possui também o Centro de Dia Nossa Senhora

da Luz.

O seu nome foi posto em honra da Santa com o mesmo nome e padroeira da terra.

  





Centros de Interesse

Núcleo Progresso de Vale do Peso

Colectividade fundada em 1920 por iniciativa do Professor Manuel Subtil.

Possui cerca de 450 sócios  e destina-se a servi-los proporcionando-lhes bons momentos de

lazer e contribuindo com todos os seus esforços para o desenvolvimento do gosto pelas artes

e desporto.


Infra-estruturas em Vale do Peso


 


 


Ambos foram construídos com dinheiro do povo. O apeadeiro serve directamente a população. 

A estação situa-se a 3 km da aldeia.

Possui 9 diplomas de Menção Honrosa do concurso das estações  bem cuidadas.

No seu exterior, encontram-se oito painéis de azulejos pintados por Jorge Colaço e que representam alguns monumentos da região.

Na estação encontra-se um terminal ferroviário no qual se efectua o carregamento de granito

das pedreiras de Alpalhão.

Existe também um polidesportivo e tanques de aprendizagem sendo um ponto de encontro

dos mais jovens.


 


Igreja Paroquial situada na rua principal, constitui o símbolo emblemático de Vale do Peso.

É um templo singelo de fundação seiscentista.O seu interior sofreu remodelações em 1660 e

na segunda metade do séc. XVIII.


Fonte da Bica


Faz parte de um grande conjunto de fontes existentes em Vale do Peso, mas é sem dúvida a

mais procurada, quer pelo povo que ainda hoje prefere a sua água à da rede pública, quer

pelos casais de namorados que aí se deleitam em longas noites de paixão olhando as estrelas

e ouvindo o gotejar das bicas.




 


Ponte Medieval


A Religião em Vale do Peso

Festa da Nossa Senhora da Luz

É no dia 2 de Fevereiro que Vale do  Peso conhece o auge da sua  vida cristã - o dia

de Nossa

Senhora  da Luz - Padroeira de Vale do Peso. Este dia é motivo de atracção para os ausentes,

pois é a festa da nossa terra. A festa consta de missa cantada, sermão e procissão. durante a

qual se presta culto à Santa e se ornamenta o andor, no dia 2, pela manhã é colocado o ouro

na Senhora. Este ouro é proveniente das inúmeras promessas feitas à Santa. A festa realiza-se

em plena estação invernosa e é muitas vezes associada ao mau tempo,  daí a máxima que a

população criou: 

 

"Se a Senhora da Luz ri, está o Inverno para vir, se a Senhora chora, está o Inverno a ir  

embora" 

Mas não é só a Santa quem por hábito chora nesse dia.

Todo o Valpesense tem a lágrima presente quando as vozes se unem e as palavras tocam o coração: 

 

" Adeus ó Virgem querida

     Nossa Senhora da Luz

    Só tu és imaculada

                                                                                     Ó doce Mãe de Jesus

    És o nosso encanto

    Todo o nosso enlevo

    Sob Vosso Manto

                                                                                     Guardai Vale do Peso"



Algumas lendas históricas

O Tesouro

Em 1811, as tropas de Napoleão derrotadas no Buçaco acamparam junto de Vale do  Peso e invadiram a Aldeia. 

Sabedores do tesouro de uma das famílias mais abastadas de Vale do Peso - a família Durão - saquearam a sua casa. 

Como a família se encontrava ausente, apenas se encontrava em casa a criada Maria Jacinta. 

Os franceses tudo partiram e revolveram mas nada encontraram, nem conseguiram saber pela criada. 

Num quarto,  foram encontrar a afilhada dos donos da casa, abraçada a uma cadelinha.

Este quadro fê-los sorrir e saíram,  poupando a vida à criada. 

Quando os donos regressaram e souberam do acontecido agradeceram muito à serva pela sua fidelidade. 

Entretanto o Sr. Durão morreu e a esposa, por precaução, pediu a Maria Jacinta que

guardasse sempre segredo e no dia que a sua afilhada casasse lhe desse o tesouro

 como prenda de casamento. 

Não resistindo à perda do seu marido, a Sr.ª Durão acabou por falecer em seguida.

 Os anos passaram e a afilhada dos senhores Durão encontrava-se prestes a casar,

esperando apenas a chegada da Maria Jacinta que havia ido passar uma temporada

a Portalegre. 

Aconteceu que Maria Jacinta foi vitima de uma apoplexia emudecendo para sempre.

Os seu lábios jamais revelaram o esconderijo do tesouro. 

Diz-se que quem sonhar três noites seguidas com o local terá de ir a horas mortas

arrancá-lo do ignoto esconderijo onde jaz há tantos anos.


O bom padre

Há muito tempo existia em Vale do Peso um padre bondoso e exemplar. 

Quando ele passava, as crianças corriam para ele beijando-lhe a mão e esperando a sua benção. 

Uma noite, a horas mortas, o padre acordou sobressaltado devido à força com que alguém lhe batia à porta. 

Perguntou quem era e uma voz desconhecida pediu a Extrema Unção para um enfermo. 

O padre levantou-se logo, disposto a acudir aos seus deveres de sacerdote. 

Assim que saiu à rua, avistou o vulto de um homem. 

Depois das saudações, o desconhecido informou-o de que o moribundo não era de Vale do Peso e que estava fora da povoação,

por isso qualquer demora poderia ser fatal para ele. 

Assim partiram sem sacristão.

De repente, o companheiro do padre estacou em sua frente não o deixando caminhar mais e com um lenço vendou-lhe os olhos.  Confiando na Providência, o padre deixou-se guiar pelo desconhecido. 

Caminhou durante largo tempo e quando finalmente pararam o estranho tirou-lhe o lenço dos olhos.

O padre achou-se num lugar desconhecido e viu um vulto de uma mulher que soluçava amargamente. 

O desconhecido pediu ao padre que a confessasse, afastando-se em seguida.

O padre preparou-se então para ouvir a confissão da penitente. 

Terminada a absolvição, de novo surgiu o desconhecido e de novo vendou os olhos do padre encaminhando-o até Vale do Peso. 

Quando o dia aclarou, os transeuntes que passavam junto de uma antiga e já inexistente ermida ficavam aterrorizados.

A terra encontrava-se remexida, dispersa e amontoada. 

Haviam vestígios de ter sido aberta uma cova.  Quando o padre soube do que se passava exclamou:

 - " Oremos por ela "

Sabia o padre que a morta era uma jovem formosa que cedendo aos impulsos duma ruim paixão sacrificara a sua honra. 

A família, desvairada, desprezou a coitada e o seu irmão mais velho acabou por lhe traçar o destino: ser enterrada viva.

Até hoje diz-se que a horas mortas uma alma penada vagueia errante implorando misericórdia.


Manuel Ceguinho 

Reza a lenda que o primeiro encarregado da distribuição do correio em Vale do Peso foi um ceguinho.

O Manuel (assim se chamava) teve uma infância tranquila até ao ano em qie uma brutal epidemia assolou Vale do Peso – a

varíola – e morreram dezenas de crianças e adultos.

O Manuel escapou à morte mas perdeu para sempre a luz dos olhos e passou a ser conhecido por Manuel Ceguinho.

Ao fim de algum tempo, o Manuel já causava admiração pelos serviços que prestava ajudando a mãe nos trabalhos domésticos,

indo até buscar água à fonte.

Quando a Junta resolveu encarregar alguém de ir levar e buscar a correspondência ao Crato lembrou-se, por compaixão, do

Manuel Ceguinho. Este aceitou a proposta.

Primeiro guiado pela mãe, semanas mais tarde sozinho, desempenhou durante uma dúzia de anos a sua função.

Conhecia os jornais pelo formato e pela consistência do papel.

As cartas e postais colocava-os individualmente em locais diferentes – um no bolso direito da jaqueta, outro no esquerdo, uma

carta na camisa, outra no colete, assim sucessivamente.

Dizem que nunca errou uma correspondência. Mas um dia apareceu em Vale do Peso uma caixa pintada de vermelho vivo e um funcionário fardado.

Tinha sido criada a Posta Rural.

Era o fim da carreira do Manuel Ceguinho. 

 

 

Alguns vocábulos próprios de Vale do Peso

 

 

Abibe – fraco                          Ex: fulano é um grande abide          fulano é fraco

Acalipto – eucalipto

Afracatar – tornar-se amigo de alguem

Carujar – chuviscar

Enfrouvado – arrepiado, friorento

Galga -  fome

Sarrabulho – sangue do borrego (prato típico, servido na tradicional festa da Srª. Da Luz)